Delícias (bem) mineiras

Por FoodColab*

Fotos: Luiza Bongir

A produção familiar do Café com Petit Four está celebrando uma década em atividade. O produto? Biscoitos caseiros, feitos artesanalmente e sem conservantes. Daquelas delícias que nunca faltam na mesa mineira do café da tarde.

Foi em 2008 que Janira Aparecida Aganetti de Paula começou a produzir as guloseimas. Os biscoitinhos eram feitos por puro hobby com a ajuda e, de uma certa forma, supervisão, da filha de Janira, Aline Aganetti, na época estudante de engenharia de alimentos. “Como todos estavam gostando muito dos nossos petit fours, comecei a vendê-los no trabalho, minha filha na faculdade e meu marido no seu trabalho. A partir daí, pronto! Virou um negócio”, lembra-se Janira.

Nesta época, a secretária executiva estava prestes a se aposentar em uma grande empresa, localizada em Nova Lima, na Grande Belo Horizonte, e viu na produção dos quitutes uma forma de manter-se ativa e gerando renda. “Nessa época, começamos a participar de festas em Nova Lima e, a partir daí, foram surgindo convites para participamos de outros eventos ligados à gastronomia”, conta Janira.

Nos cinco anos seguintes, ela levou com a família os biscoitos para o Uaiktoberfest, em Nova Lima. Participaram ainda do Festival da Quitanda, em Congonhas, por quatro anos; Feira do Cavalo Marchador, no Expominas, em Belo Horizonte; Feira Aproxima; e, mais recentemente, a Café com Petit Fours está presente na Feira Fresca, evento realizado semanalmente em Beagá. “Muito importante destacar que ganhamos o segundo lugar de Quitanda Regional de Minas, no Festival de Quitandas de Congonhas, em 2015, com casadinho. Com esse prêmio, várias portas se abriram para nós”, conta.

Para se lançar no desafio do negócio próprio pós-aposentadoria, Janira buscou capacitação. Ela tinha como propósito maior produzir e comercializar algo bem gostoso, de forma artesanal e que não tivesse aditivos ou conservantes. “Para me preparar melhor, fiz o curso de quitandas artesanais no Senar e curso de empreendedorismo no Programa Agir (Apoio a Geração e Incremento de Renda apoiado pela Vale)”, conta.

 

A pequena produtora revela que os acertos foram os ingredientes essenciais para que ela sentisse firmeza de estar no caminho certo e a impulsionassem para seguir adiante. “O lucro era significativo e me fez acreditar no negócio. Erros vão surgindo na medida em que ficamos mais conhecidos, mas vamos nos aprimorando, buscando soluções. Internet e redes sociais, por exemplo, são itens que preciso aprimorar. Vejo um mercado em crescimento. Hoje, muitas pessoas buscam alimentação natural, saudável, sem agrotóxicos. Nós estamos em busca de crescimento no mercado e de novas receitas”, revela.

Entre os produtos estão o Vanillekperfel, uma receita alemã que recebeu um ‘toque brazuca’, com a castanha de caju no lugar da amêndoa; o rocambole, que leva chocolate e canela; e os casadinhos, que são sucesso certo, nos sabores goiabada, doce de leite condensado, doce de leite condensado com canela, brigadeiro, damasco, mel e canela. Além da produção sem aditivos, a Café com Petit Four busca reduzir a geração de resíduos em sua produção. Uma das mudanças para alavancar as vendas dos produtos foi no visual: embalagens plásticas (pensando na possibilidade de reciclagem) e etiquetas novas, com potes de 200g e 500g. “Ficaram bem bonitos”, diz Janira, orgulhosa.
Café com Petit Fours :: Encomendas com Janira Aganetti pelos telefones: (31) 98483–8209 / 3541–7601 ou pelo e-mail: janiraaganetti@hotmail.com
@Café com Petit Four

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*Essa reportagem é a quarta de uma série realizada pelo FoodColab em parceira com a Feira Fresca. O FoodColab é uma plataforma colaborativa sobre alimentos, sustentabilidade e inovação, dedicada a gerar conteúdo, conexões e negócios. A Feira Fresca é uma iniciativa que reúne em média
25 produtores de alimentos semanalmente em Belo Horizonte (MG).
Acompanhe a agenda dos dias e locais da feira pelo site www.feirafresca.com.br ou pelo Facebook e Instagram: @feirafresca.

A gente nasce, cresce, come… Opa! Mas e o lixo?

*Foto: Luiza Bongir

Na semana do meio ambiente fomos conversar com o M.A.S.S.A.L.A.S. (Movimento da Alquimia dos Saberes em Saúde, Alimentação e Ambiente Saudável) para conhecer a fundo o projeto Bem Composto, que mal começou a operar e já está gerando impactos positivos para a nossa cidade. Encontramos, na terça de manhã, em um dos pontos de coleta do Bem Composto, a Horta Urbana do Boulevard Shopping, com os idealizadores Gui e Filipe, e com o Rodrigo, um grande agente que se juntou ao projeto há cerca de dois meses e contribui para o contato com os apoiadores e o manejo do resíduo.

O Gui nos contou que o projeto surgiu a partir do trabalho realizado com crianças no Instituto Cresce, chamado Baldinho Leva e Trás, onde os voluntários passavam de bicicleta recolhendo os resíduos orgânicos de moradores e trabalhavam com ele na compostagem, com o composto na horta, e com os insumos da horta na cozinha. Com a redução dos incentivos de grandes empresas na ONG surgiu a necessidade de estudar novas economias e novas práticas para tornar o projeto sustentável do ponto de vista financeiro. Foi observando alguns modelos de negócio que já funcionavam no Rio que eles se atentaram para a possibilidade de trabalhar com pessoas que já estão despertas para a questão do lixo e que possuem responsabilidade no descarte da matéria orgânica.

Há dois anos, eles começaram a desenhar o projeto com ajuda da Ana Charnizon da Educação Harmônica, um momento para entender melhor o negócio que eles queriam criar. Descobrimos que tudo foi vocacionalmente acontecendo de forma orgânica: o projeto partiu de uma semente e foi ganhando galhos e raízes a cada novo encontro, se moldando de acordo com o que os meninos trocavam com clientes potenciais e parceiros. De uma simples coleta de resíduo eles partiram para a ideia da moeda social e no inicio da operação já entenderam formas de tornar o modelo escalável para operar em outras regiões e até mesmo outras cidades.

Segundo Filipe, de abril de 2016 – quando a ideia surgiu – até hoje muito estudo, levantamento, hipóteses foram analisadas para chegar no projeto que se desenha hoje. O Bem Composto possui 4 planos. O primeiro é o Ponto de Coleta, onde o apoiador entrega seu resíduo uma vez por semana, trocando o baldinho com o descarte orgânico por um vazio nos pontos espalhados pela cidade, sendo eles:

CLIC
– Terças e Quintas, das 17h às 19h – (Rua Lavras, 653, São Pedro.)

Guaja
– Segunda a Sábado, das 09h às 22h (Av. Afonso Pena, 2881)

CSA Nossa Horta / Museu de Minas e Metais
– Sábado de 8h às 12h (Praça da Liberdade, s/n, Funcionários)

Vila João de Barro
– Segunda e Terça 08h às 18h – Sábado 08 às 14h
Rua Afonso Pena Mascarenhas, 416 – Vila da Serra – Nova Lima

Casa Horta | Be Green
– Segunda a Sábado, das 08h às 21h – Domingo, das 08h às 20h
R. Prof. Otaviano Almeida, 36 – Santa Efigênia

Na segundas-feiras é quando acontece a rota de coleta, os baldinhos cheios são coletados, outros vazios e limpos são deixados nos pontos e o resíduo destinado para a compostagem. O mais incrível é que o resíduo entregue na Vila João de Barro é manejado por eles mesmo, no próprio espaço para fortalecer o cultivo de alimentos do armazém livre de agrotóxicos.

Outros dois planos são as coletas quinzenais e semanais na residência dos apoiadores. E por último um plano destinado para estabelecimentos comerciais, feito sob medida para empresas que sabem da importância de fazer o descarte adequado o seu resíduo orgânico.

Para apoiar basta entrar no site e escolher o plano mais adequado para o seu tipo de consumo. O apoiador contribui com uma quantia fixa mensal que vai de R$ 60,00 a R$ 100,00 para pessoa física e de R$ 100,00 até R$ 600,00 (no caso de um estabelecimento de grande porte que gere muito resíduo não cru, in natura, e sim de restos de comida) e em troca, além de ter o seu descarte orgânico transformado em adubo ele recebe uma moeda social, as Massalas, que pode ser trocada por vouchers de descontos em diversos parceiros. A moeda social incentiva um consumo mais sustentável, apoiando iniciativas locais. A Casa Horta é um exemplo, onde o apoiador com apenas 10 massalas (no plano básico o apoiador recebe no mínimo 10 massalas por mês), ele troca por 10% de desconto em qualquer produto da casa que vão de livros à cenoura, tudo agroecológico, produzidos pela agricultura familiar.

Além da Casa Horta, é possível reverter as Massalas em descontos em produtos da Vila João de Barro, do Coletivo Mujique, em entregas da Dizzy Express e também em produtos na Feira Fresca! É só entrar no site deles, trocar suas massalas recebidas por um voucher Feira Fresca de até R$ 60,00 ou R$ 100,00 e escolher o produtor de sua preferência em uma das nossas feiras para ganhar o desconto. As vantagens são muitas, mas, apesar disso o Bem Composto encontra algumas dificuldades para se disseminar amplamente, pessoas que não entendem a logística por de trás dessa coleta e manuseio questionam a contribuição. Lembramos aqui a importância do trabalho que os meninos fazem e que o recolhimento de lixo, até mesmo o que a prefeitura faz, requer contribuições para manter a logística de recolhimento e para que o lixo tenha uma destinação.

Para o futuro os meninos sonham em retornar esse adubo produzido a partir dos resíduos dos apoiadores para os parques e praças da cidade, também desejam que o projeto se expanda para outras cidades e regiões e já falam de planos para criar um selo de sustentabilidade para os estabelecimentos que fazem a destinação correta do resíduo orgânico. Estamos ansiosos para ver o desdobramento desse projeto. O Bem Composto é construído por uma rede linda que só tem a crescer com a adesão de novos apoiadores.

 

Cerveja artesanal e comida local é no Pompeia

Na nossa busca pela cidade por iniciativas que incentivam a produção local, encontramos o Juramento 202, Jura para os íntimos. Localizado numa esquina do bairro Pompéia, a casa oferece chope artesanal a um preço acessível, petiscos e sanduíches deliciosos, som de vinil, um banheiro a céu aberto, nostalgia de mercearia, e muito mais, tudo isso incentivando a produção local, colocando em foco, até então, um bairro pouco conhecido do restante da cidade.

Encontramos com os três sócios Rafael, Marcelo e Samuel, num sábado, fim de tarde, para conhecer um pouco mais dessa história. Chegamos ao bar e eles estavam, como os muitos clientes, sentados no meio fio na esquina de frente para o Jura tomando um chope no copo de vidro. Esse cenário de interior é muito comum por lá. Com transversais pouco movimentadas, quem está a fim de pegar uma vitamina D ou até mesmo respirar ar fresco, encontra na calçada um refúgio para curtir um bom chope enquanto joga conversa fora. Nesse dia a calçada e o asfalto estavam apinhados de gente e os meninos sugeriram que fôssemos conversar num lugar mais tranquilo, o bar do Baiano. Localizado na rua lateral do Jura, o Bar do Baiano funciona há mais de 50 anos no mesmo local, fundado pelo Baiano, figura lendária,  é um bar pra lá de familiar, onde na época do patriarca era proibido até beijar! Agora tocado pelo filho, as regras afrouxaram um pouco, o humor melhorou  (dizem que o Baiano, falecido há alguns anos, era um dos sujeitos mais sisudos da região), mas a comida continua deliciosa. Os meninos já chegaram abraçando o Anselmo, trazendo um chope Viela, e pedindo logo uma porção de carne de sol com mandioca na manteiga. Fomos avisados que o pastel de carne seca com jiló estava imperdível e descobrimos que nas sextas feiras, por volta das 20h, o Juramento 202 recebe do bar do Baiano fornadas de pastel para o delírio da clientela.

Samuel começou nos contando que a Cervejaria Viela inaugurou primeiro a fábrica no bairro. Os três sócios, amigos de infância, possuíam um grande desejo de escoar a produção cervejeira a um preço justo, quando a loja da esquina entrou no mercado para ser alugada. Eles não perderam tempo e começaram os planos de construir o Juramento 202, agregando como quarto sócio o Luiz, que coloca ordem na casa e possibilita o Jura ser a ponta dessa cadeia. “Com menos atravessadores conseguimos colocar o chope artesanal no mercado a um preço competitivo frente às grandes cervejarias.” explica Samuel. Ele é o mestre cervejeiro responsável por todos os estilos da Viela e quem inventa alquimias para usar a estação e a potencialidade da natureza a favor da produção. Na cervejaria já foram feitas cervejas de jabuticaba, abacaxi, limão capeta. O uso de frutas e legumes nas receitas aproveita o açúcar proveniente delas para substituir, em parte, o malte importado e fazer uma cerveja com gostinho ainda mais tupiniquim. É o caso da cerveja de beterraba que eles desenvolveram e que teve como resultado uma substituição de 30% do malte, resultando numa uma cerveja leve, de cor vibrante e levemente adocicada. Ponto pra Viela!

Por não ser uma cervejaria grande, eles se permitem fazer experiências e inclusive envolver clientes e amigos nessa busca por novos sabores. Essa é a história da cerveja de amora, que começou com uma busca por amoreiras na cidade e terminou com um banco de dados incrível sobre a localização dessas árvores. Samuel conta que recorreram ao mapeamento de árvores do google para ir atrás de amoras maduras para o experimento, que chegavam com uma lona e iam sacudindo galhos para pegar maior quantidade da fruta. Divulgaram em suas redes sociais e muita gente entrou na brincadeira da caça às amoras, revelando árvores antes não mapeadas no terreno urbano. Ao fim da busca mais 30 árvores foram inseridas no banco de dados.


A comida no Jura é uma atração a parte. A primeira coisa que quem chega nota é um imponente fatiador de frios – ele é a estrela da casa – sem cozinha, o jura oferece tábuas de queijos, pães e frios para compartilhar – e sanduíches para matar a fome. Os frios são feitos em Belo Horizonte, e ao invés de presunto parma, algo mais brazuca como uma picanha defumada integram a variedade que se encontra por lá. A seleção de queijos não podia ser diferente, os maturados e mineiros são garimpados pelos sócios. Já os pães são da Bagueteria Francesa – destaque aqui para os pães de malte, feitos com o malte entregue pela própria Viela.  O pesto e a pimenta da Cura Mágoa. E o mais badalado, molho barbecue de pimenta biquinho, é da Delícia de Iaiá, produtora constante nas Feiras Frescas! Iara Milagres, conta que boa parte da produção dela é escoada pelo Jura, usando o molho tanto para os sanduíches quanto para acompanhar a tábua, e também vendendo para os clientes que chegam apaixonados por aquele sabor. Lá o molho é vendido pelo mesmo preço que é encontrado nas feiras – Iaiá faz questão!

Quem não tem cozinha caça com parcerias! É assim que o Jura consegue ter uma variedade deliciosa de produtos disponíveis, contando inclusive com variações de cardápio. É o que acontece quando eles chamam alguém para pilotar o único fogão que fica no próprio salão. Um prato único e exclusivo, feito só naquele dia para os clientes sortudos que foram conferir. O pastel de couve flor com queijo do baiano é outra delícia que faz sucesso quando chega quentinho do bar vizinho.

Essa parceria com vizinhos e trocas com o bairro não acaba no Baiano! É o caso das batata chips artesanais, fritas em óleo de algodão, sem conservantes e/ou adição de produtos químicos. Negócio fechado quando o produtor, que passava por lá, deixou uma amostra pro pessoal experimentar. Aprovadíssima, hoje 26kg de Batattitas chegam por semana para suprir as boquinhas nervosas do Jura.

“Se alimentar é um ato político” diz Rafael.  Dentro das possibilidades a Cervejaria Viela e o Juramento 202 subvertem a cadeia de distribuição de cerveja, inserem elementos da nossa terra para diminuir a importação, facilitam o acesso à cerveja artesanal, disponibilizam alimentos locais e diminuem o ritmo num mundo tão acelerado. No Jura o analógico se sobressai, os funcionários trabalham com liberdade, os frios são cortados no dia, o chope é fresco e quase km zero, o preço é justo. Lá a confiança é a base da relação e um aviso na parede informa: “Quer o copo? A gente vende bem baratinho”.

Motivos não faltam para vir aproveitar e curtir um dia/noite nesse lugar com jeitinho de passado que é presente e incentiva práticas do futuro.

Vida longa ao Jura!

 

 

Massas com sabor valorizado

Por FoodColab*

A história do Vicente Pinto Coelho Bloise começou como a de muitas pessoas no ramo alimentício artesanal: por acaso. “Começamos por mera curiosidade, quando eu fazia umas massas no sítio de um amigo para “as cobaias presentes”. Na verdade, essas pessoas foram minha fonte de inspiração e criatividade”, lembra Bloise. Entre uma rodada de massas, o negócio foi se tornando interessante, pois de provadores, os amigos passaram a fazer encomendas e a divulgar os produtos.

“Sem dúvida, meu negócio foi impulsionado por essa rede de amigos”, reconhece o administrador de empresas com gestão em marketing, pós graduação em gestão de pessoas e competitividade e também formado em ciências biológicas.

Em 2013, Bloise deu um passo para ter o negócio próprio e decidiu abrir sua pequena fabriqueta caseira: a Massas Artesanais Don Vincenzo, cujo carro-chefe eram as massas alimentícias secas com farinha de trigo e farinha integral, com ingredientes como ervas aromáticas e legumes, num processo de produção totalmente artesanal. Seu diferencial estava no sabor da massa, que, segundo ele, pode ser degustada sem molhos. “A receita da massa inclui 12 tipos de ervas e legumes”, simplifica ele, sem dar detalhes da alquimia usada na cozinha.

MERCADO EXIGENTE Desde o início alguns itens sempre permearam a pequena estrutura de Bloise. A começar pelo cuidado em produzir alimentos sem conservantes e sem corantes, e principalmente com tempo de prateleira, para atender a um mercado cada vez mais exigente. Para Vicente Pinto Coelho Bloise, sempre foi fundamental trabalhar seguindo os princípios da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), enfocando limpeza, estrutura e organização. “É bom salientar que para manter um padrão Anvisa, o pequeno produtor é castigado com inúmeras exigências cabíveis aos grandes conglomerados alimentícios”, pontua o produtor.

Em meados de 2015, Bloise procurou ajuda no Mãos de Minas, onde recebeu orientação por meio do Centro Cape, a ter um selo de certificação do Instituto de Qualidade e Sustentabilidade (IQS) como diferencial para este mercado de alimentação.

A paixão pelas panelas, rolos de massa e pelo fogão recebeu pitadas de experiências ao longo da vida. Um pouco veio do legado deixado pelos avós italianos e, sem dúvida, o aprendizado com a mãe, que era uma exímia cozinheira. Depois de iniciar o negócio, muita leitura e aprendizado, Vicente buscou se aprimorar por meio de cursos no Senac de Minas Gerais e São Paulo, além de um estágio em uma cantina no tradicional bairro da Mooca, na capital paulista. “Minha paixão, na verdade, sempre foi primeiro degustar… e depois fazer”, revela.

AJUDA PARA EMPREENDER

Desde o início do negócio, Vicente Bloise buscou ajuda de instituições, como o Mãos de Minas e o Sebrae, que orientam micro e pequenos empreendedores que desejam iniciar um pequeno negócio. Para ele, esse tipo de iniciativa é importante, mas as orientações muitas vezes eram bem distantes da realidade. Vicente recorda que, no início, surgiram inúmeras ideias como compras coletivas com parceiros, troca de experiências etc., mas isso só ficou nas palavras.

“As associações são uma forma de contribuir, ajudar a divulgar e alavancar a venda de nossos produtos, trocar experiências. Mas é difícil conseguir algo sozinho, sem apoio de uma instituição que nos dê sustentabilidade financeira, de fácil acesso, para começarmos a gerar produtos inovadores e, consequentemente, empregos. Os tempos mudaram e a competitividade é enorme”, comenta.

Na sua fabriqueta de massas trabalham Vicente, a esposa, o filho e dois empregados. Sua estratégia para lançar novos produtos partiu da iniciativa de um dos gestores do Centro Cape, que prevê um pequeno check list com 25 perguntas sobre o produto, que são entregues a 35 consumidores para que sejam analisados itens como: consistência, tempo de cozimento, sabor, aroma, cor etc. “Entregamos uma amostra de 250g para cada participante desse teste e o documento, com as respostas, é recolhido após uma semana e analisado. Tendo em média 85% de aprovação, o novo sabor é lançado ao mercado consumidor”, explica Vicente.

Além da clientela fiel, as Massas Don Vincenzo são comercializadas em feiras de alimentação e artesanato, entre elas Feira Fresca, Feira Rola Moça, Feira Cult BH, Feira Charme Chic, Feira do Bem, Bazarte, Amadoria e Mercadoria. Em média, a Massas Don Vincenzo participa de 12 a 15 feiras por mês. Seus produtos podem ser encontrados também em lojas e empórios de Belo Horizonte, Grande BH e em alguns restaurantes do interior de Minas e do Rio de Janeiro que usam as massas nos seus pratos.

Para crescer, Vicente diz precisar aprimorar sua estrutura. “Quero muito diversificar as massas, para melhor atender minha clientela, fidelizar o público e também parceiros e, claro, aumentar o faturamento. Estamos estudando a viabilidade de montarmos cursos de massas artesanais, presencial e via internet, em parceria com uma pequena escola de gastronomia de Belo Horizonte”, diz.

FAZENDO O BEM

A Massas Don Vincenzo faz doações quinzenalmente ao Centro Espírita Manoel Felipe Santiago, no Bairro Santo Antônio, em Belo Horizonte, e participa do projeto Macarronada Solidária, que alimenta os moradores de rua todos os domingos na capital.

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* Essa reportagem é a primeira de uma série a ser realizada pelo FoodColab em parceira com a Feira Fresca.

O FoodColab é uma plataforma colaborativa sobre alimentos, sustentabilidade e inovação, dedicada a gerar conteúdo, conexões e negócios.
A Feira Fresca é uma iniciativa que reúne em média 25 produtores de alimentos e ocorre semanalmente em BH.

Acompanhe a agenda dos dias e locais da feira pelo site www.feirafresca.com.br ou pelo Facebook e Instagram: @feirafresca.

A Horta da Cidade, um projeto que merece ser replicado

Em plena capital mineira, entre casas e prédios do Santa Lúcia, um projeto embrionário começa a dar os seus primeiros passos. Idealizado por George, nosso jardineiro querido, conhecido por suas mudinhas sempre presentes na Feira Fresca, o espaço começa a tomar forma do sonho: fornecer hortifruti fresco, livre de agrotóxico, direto da terra e dentro da cidade. A Horta da Cidade fica num terreno com muito sol no alto da nossa Beagá. Subindo as ladeiras do bairro, na Rua Lua, 340, encontramos a entrada: uma portinha sempre aberta para quem quiser chegar.

Fomos recebidos pelo próprio George que, munido de botinas e chapéu de palha, nos apresentou o lugar.  Logo na entrada, do lado direito, sob a sombra de um sombrite sustentado por estacas de madeira decoradas com lindos chifres de veado está a loja da Fábrica de Hortas. Eles nos mostrou a grande diversidade de plantas, algumas inclusive pouco comuns, e bateu um papo com a gente sobre como tudo começou.

A Fábrica de Hortas surgiu em fevereiro de 2016 produzindo mudas no quintal de casa e oferecendo serviço de jardinagem. O desejo era democratizar as hortas urbanas e difundir o cultivo da própria alimentação, com o objetivo de trazer, além segurança alimentar, qualidade de vida e bem-estar, fazendo as pessoas estabelecerem uma conexão direta  com a natureza. Na época, George trabalhava como jardineiro e notou que muitos clientes tinham desejo de ter a própria horta, mas não tinham conhecimento e faltavam insumos.

O negócio cresceu, hoje as mudinhas são produzidas por sua família há 4 km de bh, em Esmeraldas, e trazidas por ele para serem escoadas em Belo Horizonte. No sítio eles trabalham as mudas de ervas aromáticas e medicinais, hortaliças, PANC’s, e de frutas (inclusive vimos lindas mudas de pitaya). Fazem o plantio dessas mais de 80 espécies em pequenas células até estarem fortes os suficiente para a comercialização. O cuidado aqui é muito grande para que as mudas consigam se desenvolver plenamente sem grandes perdas após sairem do berçário. Além das pequenas a Fábrica de Hortas também fornece vasos e terra adubada para quem quiser começar sua própria hortinha em casa.

O espaço também abriga o mais novo projeto, a Horta da Cidade. Andamos entre curvas de plantio, aprendemos sobre espécies e descobrimos as peculiaridades de produzir hortifruti num espaço restrito sem o uso de agrotóxicos, que George faz questão de enfatizar “estamos trabalhando dia e noite aliados com a natureza para conseguir o certificado de produção orgânica tanto para as mudas quanto para a horta”. Durante a manhã que passamos no terreno conseguimos perceber a aprovação da comunidade do entorno que se beneficiou com hortaliças fresquinhas, saborosas, cultivadas de forma natural para uma alimentação saudável. A conexão é feita imediatamente, e mesmo sem o certificado de produção orgânica a garantia vem. Com as portas abertas de segunda a sexta de 9 às 17 horas e  aos sábados de 9 às 12 horas, o cliente vira o próprio fiscal e confirma que nada mais além de água e muito amor é colocado no cultivo.

Hoje a horta cresce exponencialmente com cada vez mais novas espécies integrando o ecosistema. Atualmente, encontra-se por lá 4 tipos de alfaces, mostarda, rúcula, couve, agrião, cebolinha, salsinha, almeirão, ora pro nobis, taioba, tomilho, coentro, espinafre, rabanete, nirá, e manjericão basilico e roxo.  Quem entra pode escolher o que quer levar pra casa com um simples apontar de dedos. Colhidos na hora, o alimento retem mais vitaminas, minerais e um sabor inconfundível de coisa fresca! Além de poder escolher in loco as hortaliças o George vai levar muito dessa produção paras as feiras, então fique de olho na agenda delas!

Além de hortifruti colhidos diretamente da terra para o consumidor, o projeto também faz a coleta de resíduos orgânico nos bairros Santa Lúcia, Belvedere, São Bento e Vila da Serra.  Assinando o plano de coleta, recebe-se  dois baldinhos que são recolhidos toda segunda e quinta-feira pela Horta, neles devem ser separados os restos de alimentos indicados no rótulo, em retorno o assinante recebe mensalmente 10 itens disponíveis a sua escolha. A taxa é pequena, o retorno é imenso e o meio ambiente ainda agradece!

Foi ai que entendemos que os projetos são separados, inclusive com diferentes CNPJ’s, mas são inseparáveis, o mais velho depende do mais novo e vice versa para funcionarem a todo vapor. “É um ciclo: uso as mudas que sobraram das feiras para fazer o plantio da horta. Com a coleta de lixo orgânico, fazemos a compostagem que usamos tanto na horta quanto vendemos a terra adubada na Fábrica de Hortas.” O espaço também realiza oficinas e o pessoal além de aprender bota a mão na terra e contribui para a construção da horta.

O projeto é incrível e verdadeiramente animador, saímos de lá realizados sabendo que existe gente como o George que sonha com uma alimentação de qualidade, fresca e muito acessível. Foi uma delícia passarmos a manhã tomando sol, ouvindo passarinho, apreciando o verde e sentindo o cheirinho da terra molhada. Na nossa sacola muitas folhas para o resto da semana e o aprendizado que só uma experiência como essa pode gerar.  A coleta? Ainda não conseguimos assinar por causa da nossa região, mas o George disse para ficarmos de olho em terrenos possíveis perto da gente, que o desejo dele é replicar o modelo e encher toda a cidade de verde!

 

Vá conhecer você também!
A Horta da CidadeFábrica de Hortas
Rua Lua 340, Santa Lúcia
Funcionamento: segunda a sexta de 9h às 17h, sábado de 9h às 12h

Como economizar na Feira Fresca: retorne suas embalagens!

Embalagem Retornável na Feira Fresca

Já pensou economizar a cada nova compra na Feira Fresca? Existe uma forma bem simples para isso que alguns não conhecem ainda: devolver suas embalagens vazias! Simples e ecológico, né? Nossos expositores também não gostam de produzir lixo, mesmo que reciclável, e por isto dão descontos aos clientes que trazem de volta as embalagens de seus produtos.

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Então, não se esqueça, comprou na Feira Fresca? Guarde as embalagens e lembre de levá-las vazias em uma sacola na próxima Feira para ganhar descontos ao comprar novos produtos! Para saber se a marca para retornar sua embalagem estará em uma edição específica da Feira Fresca confira a descrição do evento no Facebook ou entre em contato que tiramos sua dúvida.

Iniciativas que aderem esta idéia:

Desejamos uma vida Fresca e sustentável para todos!

 

Pessoas, lugares, ideias: Capril Santa Cecília

Situado no município de Itaguara, entre as montanhas de Minas Gerais, está o Capril Santa Cecília. A Fazenda de Papagaios fica tímidamente localizada em uma saída de estrada de terra na BR onde se segue por curvas, mata burros e porteiras. Cenário perfeito para se ambientar e entrar no clima rural que é a cara do Capril. Eis que na estradinha surge uma pequena entrada para umas casinhas verdes e brancas, é inconfundível por que a porteira está sempre aberta para os visitantes.

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Ao chegar, somos surpreendidos por um restaurante charmosamente rústico, com mesinhas na varanda e uma vista incrível da cadeia de morros da região. A receptividade é tipicamente mineira, feita com sorrisos largos. No restaurante se encontra um almoço de dar água na boca, com direito a carnes variadas e diversos acompanhamentos no estilo mesa farta de casa de vó. Escolhemos uma mesa, fizemos nosso pedido e fomos conhecer o capril.

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Fomos guiados pela Marli, uma das proprietárias e gestora do empreendimento. Marli nos apresentou as cabrinhas, cada uma tem um nome mais fofo que o outro. Nos mostrou o berçário, onde as pequetitas ficam pulando de um lado ao outro. Ela também nos contou como tudo começou.

Marli era enfermeira e largou a profissão para investir no negócio familiar. Foi fazer a administração da fazenda dos pais e logo abriu uma queijaria com o pai e o irmão. Eles aprimoraram a produção e com isso o volume de vendas foi crescendo, nessa época chegaram as primeiras cabras, trazidas para a fazenda pelo irmão. Foi ai que começou a caprinocultura (criação de cabras) e a produção de derivados desse leite.

Hoje além de queijo de vaca a produção conta com ricota fresca de cabra, queijo de cabra padrão, queijo de cabra frescal, queijo tipo boursin, leite pasteurizado e alguns cosméticos como o creme de cabra para a pele, que a Feira Fresca experimentou e está apaixonada! Descobrimos nessa visita que os benefícios do queijo de cabra são infinitos e que pouca gente sabe, mas o leite de cabra tem maior digestibilidade e menor percentual de gordura. Além disso, é mais rico em cálcio do que o de vaca e possui menor potencial alergênico.

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A Marli também nos contou que como nem tudo são flores, para entrar nesse mercado, ela sofreu preconceito de um meio extremamente machista, sofreu resistência dos consumidores que conheciam pouco sobre o leite, e encontrou dificuldade para conseguir se formalizar. Para expandir o seu negócio, o Capril precisava sair da informalidade e se cadastrar no Instituto Mineiro de Agropecuária ou o IMA, como muita gente conhece, mas o orgão não permitiu devido ao terreno da antiga fazenda ser muito acidentado, o que dificultava o acesso para entrada de matéria-prima e escoamento da produção. Foi ai, que em 2011, o capril mudou o endereço para o atual e hoje consegue participar inclusive de licitações! Agora Marli fornece leite e iogurte para merenda escolar além de ter ganhado espaço no mercado e vender para padarias, sacolões, restaurantes, mercearias e participar é claro de feiras como a Feira Fresca.

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Terminamos nossa tarde brindando ao sucesso do Capril com uma cerveja bem geladinha e um almoço delicioso com cordeiro num fim de tarde belíssimo na Fazenda Papagaios. Vá conhecer a Marli, sua família e as cabrinhas e passar uma tarde de muito aprendizado no Laticínios Santa Cecília. Lá as porteiras ficam sempre abertas e a mesa está sempre posta.

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Pessoas, lugares, ideias: Cafeteria da Fazenda

Localizada numa das esquinas mais charmosas de beagá a Cafeteria da Fazenda se ergue como uma brisa no cotidiano apressado da capital. A sensação é de que o tempo parou e que podemos respirar fundo apreciando um bom café mineiro acompanhado de um dos melhores queijos da região.

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Com a cara do interior, o espaço é um perfeito ponto de encontro entre almas velhas e almas novas para trocar aquele dedinho de prosa e colocar o papo em dia. Embalado pelo cheiro dos quitutes, em um cenário que evoca lembranças de um tempo onde as coisas eram mais simples, o jeito é se entregar, voltar à infância e dá lhe bolo de mixirica, uma das especialidades da casa!

Seja expresso ou coado, o café está sempre presente, nem que seja só no cheiro. O melhor é que dá pra levar pra casa um pouco desses grãos preciosos. A cafeteria além de servir café da manhã, lanche e almoço típico mineiro com direito a couve e torresminho, é um grande empório. Ivagner é o caixeiro viajante que roda minas em seus cantos mais escondidos para descobrir novas delícias e lembrar BH de suas raízes.

Cafés, queijos, cachaças, embutidos, são cuidadosamente garimpados para trazer o melhor da culinária mineira ao paladar. Lá se encontra de tudo um pouco e de muito sabor e história esse empório é construído. Em cada prateleira um mundo novo a ser explorado e contado pela boca de quem foi, viu e viveu.

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Tire uma tarde para ir conhecer e provar todas essas iguarias. O empório da Cafeteria da Fazenda fica na esquina da Rua Montes Claros, 752 com Passa Tempo e está aberto de terça a domingo. Vá com calma e se preocupe em não levar relógio que é pro tempo passar sem pressa. Permita-se perder em pensamentos, em prateleiras, em estórias, contos e causos. Vá com curiosidade e conheça um pouquinho mais sobre os sabores de minas e sua produção de delícias.

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